"A Batalha em alto mar.
Dama da Noite em Ação
Em menos de meia hora, o navio do capitão Bartolomeu e toda a sua
tripulação estavam prontos para entrar em uma disputa a ferro. Não sabíamos o
que nos esperava, mas seja o que for, o capitão e toda sua tripulação iria
encarar frente a frente, como sempre o fizeram.
Na medida em que fomos nos aproximando daquela grande rocha
já podíamos ouvir o som das águas do mar se arrebentando, não no paredão
rochoso que descansava a nossa frente, mas sim em um som meio que oco, como se
estivesse rebatendo em um grande barril, o que era na certa o casco de um
navio, o qual estava nos aguardando em emboscada. Já se podia ouvir o som
das madeiras rangendo, como grandes portões de um castelo ao se abrir. Não
sabíamos ao certo qual a posição que aquele grande mostro dos mares estava,
quantos canhões ou homens haviam a bordo, mas uma coisa tínhamos certeza, que
teríamos de ser mais esperto do que eles.
Pensei com meus botões que não havia possibilidades de sairmos
daquela emboscada. Meu pai nunca havia contado nenhuma história de batalhas em
alto mar. Mas também tinha a certeza que o capitão e a tripulação não voltaria
para trás. Até por que, todas as pessoas, mesmo as que não viviam no mar sabia
que “bater em retirada” em uma batalha pode ser fatal. Por isso se diz que deve
pagar para não entrar em uma batalha, mas se entrar, então pagar o dobro para
não sair, pois muitas das vezes, sair acaba se tornando bem mais caro."
Eu
não tinha a mínima idéia de quanto tempo aqueles
homens esperavam por esse momento, mas pela empolgação, parecia que aquela era
a batalha do século. Ou então para eles era tudo normal, pois fazia parte dia a
dia, eu é que não estava habituado. Meu coração batia a cada segundo mais
acelerado. Muita coisa passava em minha mente naquele instante. Precisava me
ocupar com algo.
Sebastian, um arqueiro de confiança, amigo de todos, era tido como
conselheiro do navio. Muitos o chamavam apenas de “arqueiro”, mas eu
já havia aprendido a respeitá-lo e a vê-lo como Sebastian, o arqueiro.
Naquele instante, ele se aproximou e me falou o seguinte:
_Garoto! Vamos entrar em guerra, um pouco mais de tempo,
atacaremos um navio. Não pretendemos perder nenhum homem, mas vamos fazer todos
os nossos adversários se renderem, para não ter que fazer o pior. Sei como
você deve estar se sentindo por que eu também já passei pela
mesma situação há trinta e oito anos atrás, quando eu vim fazer parte
dessa tripulação. A melhor tripulação de todos os mares. Já lutamos contra
todos os tipos de pessoas que você puder imaginar e até mesmo contra a
marinha, e sobrevivemos. Assim como eu tive a oportunidade há anos atrás,
a mesma será dada a você".

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